Jornalistas protestam contra censura e violência na Câmara
Um grupo expressivo de jornalistas realizou um ato público na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 10 de abril, em protesto veemente contra a censura e a violência empregadas pela Polícia Legislativa. O episódio, que gerou ampla repercussão, ocorreu na véspera, durante a sessão plenária de terça-feira, 9 de abril. Profissionais da imprensa foram alvo de agressões físicas e impedidos de exercer seu trabalho, resultando na interrupção do sinal da TV Câmara e na retirada forçada de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Este grave incidente levanta sérias preocupações sobre a liberdade de imprensa e o acesso à informação pública no parlamento brasileiro, destacando a importância da atuação jornalística em um ambiente democrático. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) já anunciou medidas legais diante da escalada da tensão e da violação de direitos fundamentais.
A escalada da tensão e a remoção da imprensa
O incidente com o deputado Glauber Braga
A sequência de eventos que culminou no protesto dos jornalistas teve início com a conturbada sessão plenária de terça-feira, 9 de abril. Na ocasião, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidência da Casa em um gesto de manifestação política, em meio a debates e votações importantes, incluindo a possibilidade de cassação de parlamentares. A ocupação da mesa diretora por Braga provocou uma reação imediata da segurança da Câmara. Imagens e relatos indicam que a sua retirada foi feita de forma enérgica, desencadeando uma série de ações que afetariam diretamente a cobertura jornalística do plenário. A agitação no ambiente legislativo já era um prenúncio da tensão que se seguiria, com parlamentares e servidores presenciando a intervenção da Polícia Legislativa para remover o deputado.
A interrupção da transmissão e a violência contra profissionais
Durante a retirada à força do deputado Glauber Braga, o sinal da TV Câmara, responsável pela transmissão ao vivo da sessão, foi abruptamente cortado. Esta ação impediu a população de acompanhar os desdobramentos em tempo real e de testemunhar a atuação das forças de segurança dentro do plenário. Simultaneamente à interrupção da transmissão, jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e assessores de imprensa presentes foram retirados do local pela Polícia Legislativa. Relatos unânimes e imagens chocantes mostram uma ação truculenta por parte dos policiais, que utilizaram puxões, cotoveladas e fortes empurrões para afastar os profissionais que tentavam registrar os acontecimentos. Alguns jornalistas necessitaram de atendimento médico em decorrência das agressões, o que sublinha a gravidade da violência empregada. A conduta da Polícia Legislativa, neste contexto, é vista como um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito fundamental de informar e ser informado. A retirada e agressão impediram o registro de um fato relevante para a sociedade, configurando uma tentativa de censura inaceitável em um regime democrático.
Reações e as ações em defesa da liberdade de imprensa
A omissão da presidência da Câmara
Diante da gravidade dos acontecimentos, uma comissão de representantes da imprensa buscou um encontro com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do episódio e exigir explicações. No entanto, o presidente não compareceu à reunião, enviando uma assessora como sua representante. A ausência de Hugo Motta foi interpretada como um sinal de desconsideração para com a imprensa e para com a gravidade dos ataques ocorridos. Horas antes, o presidente havia se manifestado em uma rede social, afirmando ter determinado a “apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa”. Contudo, a ausência de um diálogo direto e a aparente minimização do ocorrido geraram frustração e intensificaram as críticas à postura da liderança da Câmara, que deveria garantir a proteção do trabalho jornalístico e a transparência do parlamento, em vez de se ausentar do debate.
O posicionamento e as medidas judiciais da ABI
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), uma das mais respeitadas entidades de representação da categoria, reagiu com veemência aos incidentes. Em nota oficial, a ABI informou que tomará medidas judiciais incisivas contra o presidente da Câmara, Hugo Motta, responsabilizando-o pelas “violências cometidas pela Polícia Legislativa, na sessão da terça-feira (9), contra jornalistas, parlamentares e servidores da Casa e a liberdade de imprensa”. As ações legais incluem o ingresso de uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) por crime de responsabilidade, com especial afetação ao direito à liberdade de imprensa e expressão, sublinhando a gravidade das violações democráticas. Além disso, a associação formalizará uma denúncia junto à Relatoria Especial de Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), buscando reconhecimento internacional do ataque à imprensa. Por fim, uma representação será encaminhada à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar e infração disciplinar, visando a responsabilização interna dos envolvidos e do comando da Casa. Diversas outras entidades ligadas à imprensa e aos direitos humanos também condenaram a retirada e a agressão aos profissionais, reforçando o coro pela apuração rigorosa e pela proteção da atividade jornalística.
As repercussões e o futuro da liberdade de imprensa
Os eventos na Câmara dos Deputados representam um marco preocupante para a liberdade de imprensa no Brasil. A ação conjunta de corte de sinal, retirada forçada e agressão física contra jornalistas em pleno exercício de suas funções, dentro do principal órgão legislativo do país, envia um sinal alarmante sobre a tolerância a práticas que cerceiam o direito à informação. A reação da imprensa e das entidades de classe, com o ato de protesto e a mobilização jurídica, demonstra a resiliência e a determinação em defender os pilares da democracia. É fundamental que as investigações prometidas pelo presidente da Câmara sejam conduzidas com rigor e transparência, e que os responsáveis por qualquer excesso ou violação sejam devidamente responsabilizados. A garantia de um ambiente seguro e livre para o trabalho jornalístico é essencial para a fiscalização dos poderes, para a transparência das ações públicas e para a manutenção de uma cidadania bem-informada. A sociedade brasileira espera respostas concretas e medidas que assegurem que tais atos não se repitam, fortalecendo o respeito à imprensa como um pilar indispensável da democracia.
Perguntas frequentes sobre o incidente na Câmara
O que motivou o ato dos jornalistas na Câmara?
O ato foi motivado pela censura e pelas ações violentas da Polícia Legislativa contra jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas na terça-feira, 9 de abril. Durante a retirada forçada do deputado Glauber Braga do plenário, o sinal da TV Câmara foi cortado e profissionais da imprensa foram agredidos e impedidos de trabalhar, configurando um ataque direto à liberdade de informação.
Quais foram as ações da Polícia Legislativa consideradas truculentas?
Os relatos indicam que a Polícia Legislativa utilizou puxões, cotoveladas e fortes empurrões para remover os profissionais da imprensa do plenário. Essas ações resultaram em agressões físicas, com alguns jornalistas necessitando de atendimento médico, e na interrupção do registro visual e noticioso dos fatos, violando o direito ao trabalho da imprensa.
Quais medidas legais estão sendo tomadas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI)?
A ABI anunciou que ingressará com ações judiciais contra o presidente da Câmara. Isso inclui uma representação na Procuradoria-Geral da República por crime de responsabilidade e violação da liberdade de imprensa, uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, e uma representação na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar.
Qual foi a postura do presidente da Câmara, Hugo Motta, diante do ocorrido?
O presidente Hugo Motta não compareceu a um encontro agendado com representantes da imprensa para discutir os incidentes, enviando uma assessora em seu lugar. Apesar de ter afirmado em redes sociais que determinaria a apuração de possíveis excessos, sua ausência e a percepção de uma resposta branda geraram críticas e frustração entre os profissionais da comunicação e as entidades de classe.
Para aprofundar-se nos detalhes e desdobramentos deste incidente crucial para a liberdade de imprensa no Brasil, continue acompanhando as atualizações das principais agências de notícias e organizações de defesa dos direitos humanos.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

