Ataque dos EUA acende alerta e fronteira entre Brasil e Venezuela é fechada

O fluxo na principal ligação terrestre entre Brasil e Venezuela amanheceu interrompido neste sábado (3), pegando moradores e viajantes de surpresa logo nas primeiras horas do dia. Após o anúncio de uma ofensiva militar dos Estados Unidos em território venezuelano, as autoridades do país vizinho decidiram fechar a fronteira em Pacaraima, no norte de Roraima, um dos pontos mais sensíveis da região amazônica. A informação foi confirmada pela Polícia Federal (PF), que percebeu uma mudança brusca no movimento de pessoas e veículos na área.

Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, os agentes que atuam na região notaram rapidamente a diferença no cenário. “A Polícia Federal observou redução no fluxo migratório e informou que a Venezuela fechou sua fronteira hoje”, afirmou. Quem costuma circular pela região diz que, normalmente, as primeiras horas da manhã são marcadas por filas, comércio informal e o vai e vem constante de pessoas. Neste sábado, porém, o clima era outro: mais silêncio, mais tensão e muitas perguntas sem resposta.

Imagens registradas por volta das 8h da manhã, divulgadas pela Polícia Militar de Roraima, mostram viaturas e militares do Exército posicionados nas imediações do marco fronteiriço, onde ficam hasteadas as bandeiras do Brasil e da Venezuela. Cones de sinalização foram colocados para bloquear a passagem de carros, motos e até pedestres. A cena lembrava momentos mais críticos vividos nos últimos anos, quando a crise no país vizinho se agravava e gerava picos de entrada de migrantes.

A decisão de fechar a fronteira ocorreu poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar publicamente que forças norte-americanas realizaram uma operação militar de grande escala na Venezuela. Segundo ele, a ação teria resultado na retirada do presidente Nicolás Maduro do país, por via aérea, acompanhado da esposa. A notícia caiu como uma bomba na América do Sul e rapidamente gerou reflexos diretos nas regiões de fronteira, especialmente em Roraima.

Até a publicação desta reportagem, nem o Exército em Roraima nem o Comando Militar da Amazônia haviam se manifestado oficialmente sobre possível reforço ou movimentação extra de tropas na região. O silêncio das autoridades militares aumenta a sensação de incerteza entre moradores locais, comerciantes e até agentes públicos que atuam no dia a dia da fronteira. Alguns relatam que orientações internas mudaram de uma hora pra outra, enquanto outros dizem que aguardam ordens mais claras.

Roraima é considerada, há anos, o principal corredor de entrada de venezuelanos no Brasil. Desde 2015, Pacaraima concentra grande parte do fluxo migratório de pessoas que deixam a Venezuela por causa da crise econômica, política e social vivida sob o regime de Nicolás Maduro. Ao longo desse período, o município precisou se adaptar rapidamente, lidando com desafios na saúde, na educação e na segurança pública, além de contar com apoio federal e de organizações internacionais.

Com o fechamento da fronteira, surgem preocupações imediatas. O que vai acontecer com quem já estava a caminho? E com famílias que dependem da travessia diária para trabalhar ou buscar atendimento médico? Moradores relatam apreensão e medo de que a situação se prolongue. “A gente já viu isso antes, e nunca é simples”, comentou um comerciante local, visivelmente preocupado.

O cenário segue em constante mudança, e autoridades brasileiras acompanham os desdobramentos com atenção. Em um mundo cada vez mais conectado, uma decisão tomada a milhares de quilômetros de distância, como em Washington, acaba tendo impacto direto na vida de pessoas comuns em cidades pequenas da fronteira amazônica. E, como quase sempre acontece nesses casos, quem mais sente primeiro são os que vivem ali, no limite entre dois países e muitas incertezas.

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