Caos no Irã: Mortos em protestos generalizados chegam a 192

O crescente número de mortos nas manifestações contra o governo iraniano revela a dimensão da crise que tomou conta do país. Já são ao menos 192 vítimas confirmadas, segundo a organização Iran Human Rights, com sede na Noruega, um número que pode ser ainda maior devido ao bloqueio de internet imposto pelo regime.

As ruas de Teerã e de outras grandes cidades tornaram-se palco de um dos movimentos populares mais intensos da última década, reacendendo o debate sobre liberdade e repressão no Irã.

Os protestos começaram nos últimos dias de 2025, motivados por insatisfação política e econômica, mas rapidamente ganharam um caráter mais amplo, com pedidos pela renúncia do aiatolá Ali Khamenei.

A repressão do governo, no entanto, aumentou na mesma proporção. O chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, admitiu que “o nível de confronto se intensificou”, enquanto vídeos compartilhados nas redes mostram cenas de enfrentamento, carros em chamas e civis fugindo da ação das forças de segurança.

O presidente Masoud Pezeshkian pediu que a população se afaste do que chamou de “badernistas”, ao mesmo tempo em que acusou Estados Unidos e Israel de incentivar o caos no país. O parlamento iraniano, por sua vez, reagiu com ameaças: caso haja qualquer intervenção estrangeira, bases norte-americanas e territórios israelenses seriam considerados “alvos legítimos”.

A comunidade internacional acompanha com preocupação. Fontes citadas pelo New York Times e pelo Axios afirmam que o governo dos Estados Unidos avalia possíveis formas de apoiar os manifestantes, enquanto o ex-presidente Donald Trump declarou que o Irã “busca liberdade”.

Desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, o país não enfrentava tamanha instabilidade. Com sanções da ONU restabelecidas e tensões pós-guerra com Israel, o cenário iraniano parece à beira de uma encruzilhada, entre o desejo de mudança de um povo cansado e o endurecimento de um regime que promete não recuar.

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