Ele nunca havia conhecido o amor até os 40 anos

— até que uma mulher pediu abrigo em seu estábulo durante uma tempestade

No árido norte do México, onde o vento do deserto sussurra segredos que só os solitários conseguem ouvir, vivia Diego Mendoza, um homem envolto em silêncio e isolamento. Seu rancho se estendia por hectares de terra seca, cercado por montanhas distantes que recortavam o horizonte sob um céu imenso e impiedoso.

O sol castigava sua pele, deixando-a curtida e morena como couro antigo. Seus cabelos negros contrastavam com os olhos verdes — herança distante de algum antepassado europeu esquecido pelo tempo. Aos quarenta anos, Diego era um enigma até para si mesmo.

Enquanto outros homens já tinham família, filhos e uma casa cheia de vozes, ele havia escolhido — ou acreditava ter escolhido — a companhia do gado, dos cavalos e da vastidão silenciosa do deserto. As mulheres do pequeno povoado, a horas de distância a cavalo, o observavam com curiosidade sempre que ele aparecia para comprar mantimentos. Mas Diego mantinha as conversas curtas, quase formais, como se temesse qualquer aproximação.

Sua rotina era previsível como o nascer do sol. Acordava antes do amanhecer, quando as estrelas ainda resistiam no céu arroxeado. O cheiro do café fresco tomava a pequena casa de adobe, enquanto os cavalos relinchavam do lado de fora. Os dias passavam entre consertar cercas, cuidar do gado e manter a bomba de água funcionando. À noite, após uma refeição solitária, sentava-se na varanda observando vaga-lumes dançarem entre os cactos floridos. Às vezes tocava o velho violão do pai, deixando melodias melancólicas se perderem na imensidão.

A casa refletia sua personalidade: simples, funcional, mas acolhedora. Um crucifixo de madeira esculpido à mão pendia acima da lareira, ao lado de uma fotografia antiga de seus pais. Diego aprendera a ser autossuficiente por necessidade. Sabia costurar feridas, consertar motores, cozinhar o básico e prever o clima com precisão impressionante.

Mas havia algo que o diferenciava de outros homens do campo: sua total inexperiência com o amor. Não por falta de oportunidades, mas por medo. Criado por uma mãe profundamente religiosa, marcada pela perda precoce dela, Diego havia se fechado emocionalmente, enterrando qualquer desejo sob anos de trabalho duro.

Seus companheiros constantes eram os animais: três cavalos — Tormenta, Esperança e Relâmpago —, algumas vacas, cabras e um galo orgulhoso que o despertava religiosamente todas as manhãs.


A tempestade

O dia que mudaria tudo começou como qualquer outro. Diego acordou com o canto do galo, vestiu sua camisa azul de trabalho e saiu para revisar o gado. O ar da manhã estava fresco, mas algo parecia diferente. No horizonte, nuvens escuras se acumulavam com uma intensidade incomum.

Durante o café da manhã, o velho rádio de pilha anunciou uma tempestade severa, com ventos fortes e possibilidade de granizo.

Sem perder tempo, Diego reforçou o celeiro, levou os animais mais frágeis para abrigo e fechou bem as janelas da casa. Enquanto trabalhava, lembrou-se de uma superstição de sua avó: mudanças bruscas no clima sempre trazem mudanças na vida.

No meio da tarde, o céu se fechou completamente. O vento começou a uivar, levantando redemoinhos de poeira. Quando Diego se dirigia para casa, algo chamou sua atenção à distância: uma figura humana caminhando sozinha pelo deserto.

Aquilo era perigoso.

Ele montou Tormenta e galopou até a pessoa. Era uma jovem, exausta, lutando contra o vento. Usava uma saia longa marrom e uma blusa branca coberta de poeira. Os cabelos castanhos, antes trançados, estavam soltos e desalinhados.

Quando Diego desmontou, os olhares se encontraram.

Os olhos dela eram cor de âmbar, com reflexos dourados que captavam a pouca luz do céu cinzento. Havia determinação, mas também cansaço e vulnerabilidade.

Senhor, por favor… — disse ela com a voz rouca. — Preciso de abrigo. A tempestade está chegando e não tenho para onde ir.

Diego sentiu algo inexplicável atravessar seu peito. Como se aquele momento tivesse sido esperado por toda a sua vida.

— Claro… — respondeu, ainda atônito. — Sou Diego Mendoza.

Isabela. Isabela Herrera.

Ele a ajudou a montar, e partiram rapidamente rumo ao rancho, enquanto os primeiros trovões ecoavam. Isabela se segurou instintivamente na cintura de Diego, e o contato fez seu corpo reagir de uma forma totalmente nova para ele.


Abrigo e conexão

Na casa, Diego ofereceu água fresca. Isabela bebeu com avidez. À luz da lamparina, ele pôde observá-la melhor: cerca de dezoito anos, traços delicados, mãos marcadas pelo trabalho duro e um olhar maduro demais para a pouca idade.

Ela contou que vinha de San Miguel, a quase cem quilômetros dali. Caminhara por dois dias.

Meu pai morreu há um mês — disse, abaixando os olhos. — Os credores levaram tudo. Não tinha família, trabalho nem casa.

Diego sentiu o peso daquelas palavras. A solidão dela tocava algo profundo dentro dele.

— Aqui você estará segura enquanto durar a tempestade.

A chuva começou com fúria. Diego preparou uma refeição simples, mas farta. Comeram e conversaram, compartilhando histórias, dores e sonhos. A conexão cresceu de forma natural.

Quando a noite avançou e a tempestade se intensificou, Diego ofereceu o quarto para Isabela. Ela recusou, pedindo para dormir no celeiro. Relutante, ele concordou, garantindo mantas, uma lamparina e acesso fácil à casa.

Mas perto da meia-noite, algo o inquietou. A luz do celeiro havia se apagado.

Diego correu sob a chuva e encontrou Isabela acordada, tremendo de frio.

Sem pensar, a tomou nos braços.

Você vem comigo. Não vou deixar que passe frio.

Na casa, sentaram-se diante da lareira. Envoltos em mantas, ouviram a chuva enquanto algo silencioso se formava entre eles.

Nunca se sentiu sozinho aqui? — perguntou Isabela.

— Achei que escolhia a solidão… — respondeu Diego. — Mas hoje percebi que talvez estivesse apenas esperando.

Esperando o quê?

Você.


Um novo começo

Ao amanhecer, a tempestade havia passado. Isabela acordou apoiada no ombro de Diego. Prepararam o café juntos, algo simples que, para ele, pareceu extraordinário.

Quando ela disse que deveria ir, Diego sentiu pânico.

Fique.
Como assim?
Fique comigo. Há trabalho, há espaço… e, se quiser, podemos nos casar.

A proposta era simples, sincera e carregada de esperança.

Isabela enxergou nos olhos dele a mesma solidão que carregava no próprio coração.

Sim… eu fico.


Amor, família e futuro

Os dias seguintes transformaram o rancho. Isabela trouxe vida à casa, flores, novas refeições e alegria. Trabalharam juntos, planejaram o casamento e, pouco a pouco, o amor cresceu.

A cerimônia foi simples, mas perfeita.

Naquela noite, compartilharam sua primeira intimidade com ternura, respeito e descobertas. Não foi perfeita, mas foi verdadeira.

Meses depois, o rancho prosperava. Um ano após a tempestade, Isabela anunciou a gravidez.

Diego chorou de alegria.

A tempestade que um dia trouxe medo havia sido, na verdade, o início de tudo.

O rancho deixou de ser refúgio de um homem solitário e se tornou o lar de uma família. Diego finalmente entendeu: sua vida nunca esteve completa.

Ela apenas esperava por Isabela para começar de verdade.

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